"Crônica F.C" – O terror dos matemáticos

E ontem, de uma nuvem acima do Estádio Diego Armando Maradona, Nelson Rodrigues assistiu ao jogo e viu como tinha razão.
Creio que existam tantos matemáticos no meio do futebol quanto torcedores. Mesmo porque são muitos os que torcem fazendo a conta de quantos minutos faltam, quantos pontos são necessários, qual a probabilidade de acontecer isto ou aquilo...
Digo isso porque, para falar dessa vitória do Fluminense, é necessário falar em números.
Avançados 43 minutos do segundo tempo.
Esperançosos 1500 torcedores que viajaram à Argentina.
Míseros 8% de chance de classificação.
Desesperados quatro atacantes em campo.
E um único gol que acabaria com todo o sofrimento.
No meio de tanta bagunça entre números e emoções, estatísticas e angústias, um tricolor invade a área e é derrubado pelo goleiro. Não importava que quem sofreu o pênalti sequer fosse um dos atacantes, mas o volante (quase zagueiro) Edinho. Importava era a oportunidade de acabar com tudo de uma vez.
"Era a hora", proferiram Conca e Marquinho.
"Você é um abençoado", disse Rafael Moura ao batedor.
E Fred, com a categoria e o poder de decisão imprescindíveis a quem carrega o número 9 às costas, chutou a bola no ângulo, lembrando ao Brasil inteiro que, enquanto houver um mínimo de probabilidade, o Fluminense não desiste.
E aqueles que achavam impossível escapar dos 98% de chance de rebaixamento, aqueles que decretaram que se classificar para as oitavas de final da Libertadores era como um raio cair três vezes no mesmo lugar, talvez digam que a vitória de ontem não garante nada, que não significa que o Fluminense será campeão. Talvez tenham alguma razão. Mas, que além dessa razão, que tenham uma certeza: a de que não adianta ver os jogos do Tricolor de calculadora na mão. Esse time não redime nenhuma estatística. Os matemáticos não botam medo no Fluminense. O Fluminense é que é o terror dos matemáticos.
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