“Crônica F.C.” – O Brasil de Mano e o consenso

No Brasil, existe um consenso que diz que, independentemente do adversário, a seleção tem sempre que jogar bem, ofensivamente e ganhar de goleada. Nessa ordem. Para o torcedor da seleção brasileira, perder e ganhar jogando mal dá quase no mesmo. Técnicos como Dunga e Carlos Alberto Parreira tiveram passagens vitoriosas no comando do Brasil, mas foram – pra não dizer que são até hoje – duramente criticados pela qualidade do futebol apresentado.

Dizem as más línguas que Parreira jamais seria campeão em 1994 se não tivesse recuperado o juízo no último jogo das eliminatórias e convocado o Romário (o que é verdade), e que proibiu os campeonatos de Winning Eleven nas concentrações dos jogos da Copa de 2006 por inveja, já que, no videogame, o Brasil era mil vezes melhor do que na vida real e nem precisava de técnico (o que é mentira, mas, vá lá, tem fundamento...). Dunga, por sua vez, dispensa comentários, já que foi eliminado das quartas-de-finais em 2010 tendo ainda uma substituição a fazer – só não tinha o reserva capaz de mudar a história do jogo, já que Ronaldinho Gaúcho e Ganso ficaram em casa para que Júlio Baptista e Kléberson pudessem viajar.

Dunga e Parreira têm, juntos, seis títulos pela seleção. Mano Menezes, que tem seis jogos, não demonstra – pelo menos por hora – que vá seguir o caminho de seus antecessores.

Tudo bem, o Brasil de Mano perdeu duas vezes seguidas para gigantes do futebol mundial – Argentina e França – e venceu times de medianos pra baixo – EUA, Irã, Escócia e Ucrânia, chegando a passar aperto contra essa última. E talvez ainda seja cedo pra dizer, mas creio que o projeto de Mano para 2014 esteja bem encaminhado. Pelo menos até a metade do time.

Hoje, temos um goleiro e dois laterais-direitos entre os melhores do mundo: Júlio César, Daniel Alves e Maicon. Todos terão mais de 30 anos em 2014, mas devem manter o nível até lá.

Nossos quatro zagueiros – Lúcio, Luisão, Thiago Silva e David Luiz – são titulares em seus clubes e costumam fazer o dever de casa com a camisa amarela. Todos têm grandes chances de estar na Copa, embora Lúcio esteja com 36 anos nessa época.

De volantes, também estamos bem servidos. Lucas Leiva, que chegou a jogar quase como segundo atacante no começo da carreira, hoje é um bom primeiro volante – faz a mesma função do Felipe Melo na Copa, só que com menos violência. Além dele, temos Sandro, Ramires, Elano, Hernanes...

Até aí tá tudo lindo e maravilhoso. Agora surgem as dúvidas.

Como fica a lateral-esquerda? Não temos um grande nome para a posição desde a saída de Roberto Carlos. Michel Bastos não convenceu na Copa, André Santos toma muita bola nas costas e Marcelo é inconstante. Por outro lado, não há muitas opções além das duas últimas.

Quem é o dono da camisa 10? Jogando a bola que sabe, Paulo Henrique Ganso. O são-paulino Lucas também é boa opção. Kaká ainda precisa se recuperar das suas contusões milenares e Ronaldinho precisa fazer mais do que ganhar título em cima do Boavista. Na verdade, qualquer um desses serve, o duro é deixar a 10 com o Jádson...

Quem é o companheiro de Neymar no ataque? Até segunda ordem, Alexandre Pato ou Robinho. Ou os dois, se Mano resolve jogar no 4-3-3. Depende se o time joga com um centroavante de ofício ou não.

Lógico que, para o bem ou para o mal, ainda tem muita coisa pra acontecer nos próximos três anos. Ainda podem acontecer muitos problemas, como contusões ou má fase técnica. Mas vai que a solução de alguns desses problemas aparece nesse pessoal que tá jogando o Sub-17...

É verdade que, até agora, o Brasil de Mano Menezes só bateu em bêbado. Mas, pelo menos no papel, nos dá motivos para acreditar que, independentemente do adversário, a seleção pode sempre jogar bem, ofensivamente e ganhar de goleada. Nessa ordem.
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Primeiro brasileiro campeão do mundo

Anfilóquio Guarisi, ponta- direita nascido em 1905, foi o primeiro jogador de futebol brasileiro a se sagrar campeão do mundo. A conquista veio defendendo as cores da Itália, na Copa do Mundo de 1934.

Anfilóquio começou a carreira na Portuguesa na capital paulista. Ficou pouco tempo na Lusa e se mudou para o Paulistano (time que deu origens ao atual São Paulo da Floresta, posteriormente, São Paulo Futebol Clube), na época, a melhor equipe de São Paulo, e que tinha em seu elenco o mítico Arthur Friedenreich. No clube, seria bi-campeão paulista.

Com boas atuações no longínquo Paulistano, Filó, como era conhecido, foi jogar no Corinthians. Conquistou outra vez o torneio estadual, porém, essa competição era distinta da que ele havia ganho duas vezes pelo Paulistano.

Antes de seguir, uma explicação importante: Guarisi atuou pelo Paulistano de 1925 a 1928, em 1929, ele mudaria para o Corinthians. Nesta época, existia dois Campeonatos Paulistas. Na edição de 1929, o Corinthians foi bi-campeão, no campeonato organizado pela Associação paulista de esportes atléticos (APAE), e o seu ex-time Paulistano, conquistou o título organizado pela Liga dos amadores de Futebol, (LAF). Em 1930, o estadual de São Paulo seria reunificado, e a LAF ganhou o direito de organização, com isso o Paulistano se desfez do time de Futebol, e o corinthians foi tri-campeão paulista, sendo Guarisi bi pelo timão (1929-30) e bi pelo Paulistano (1926-27).

Filó estava cotado para entregar a seleção na Copa de 1930. Porém, só jogadores de times cariocas foram convocados ( exceto Araken Patusca, que havia brigado com seu time, o Santos).

Em 1931 Guarisi viajou para a Itália, para jogar na Lazio. O time da capital era comandado por Amílcar Barbuy, um técnico brasileiro, e que montou um time formado por 7 brasileiros.



Os jogadores contratados:

Giuseppe Castelli, Armando Del Debbio, Alessandro De Maria, Anfilogino Guaris, todos do Corinthians

Giovanni Fantoni, Leonizio Fantoni (conhecido como Niginho, 3º maior artilheiro do Cruzeiro), Ottavio Fantoni, todos do Palestra de Belo Horizonte, mais tarde Cruzeiro Esporte Clube.

O time ficou conhecido como Brasilazio, e com Guarisi como seu principal jogador e, eventualmente, capitão, conseguiu um modesto 13º lugar na primeira temporada, em 1931/32. O time iria evoluir com o passar dos anos. Nas temporadas de 1932/33 e 1933/34, a Lazio alcançaria o 10º lugar. Na temporada seguinte conseguiria o 7º lugar, e na temporada final de sua passagem pela Itália, A lazio seria vice-campeão, perdendo o título para o Bologna.


Guarisi e Ottavio Fantoni (Nininho) participaram das eliminatórias da Copa, porém somente Guarisi (marcou o primeiro gol da Itália nas eliminatórias, vitória de 4 x 0 na Grécia) iria para Copa. Era reserva, atuou somente uma vez, na vitória de 7 x 1 contra os EUA.

Foi convocado 10 vezes para a seleção italiana e participou de 6 jogos. Voltou ao Brasil, retornou ao Corinthians, foi tri-campeão paulista entre 1937 e 1939. Encerrou a carreira em 1940, no rival Palestra, (posteriormente, Sociedade Esportiva Palmeiras) conquistando outra vez o estadual, seu 4º título seguido.




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Ensaio sobre um toque de mágica

Quando você é um aficionado por futebol, sempre vai existir aquele momento especial do qual você se lembrará eternamente. Pode ser um gol, uma jogada bonita, um episódio polêmico... enfim, algo que deixou marcas profundas, sejam elas positivas ou negativas.

O lance marcante da minha vida foi visto pela TV, numa quarta-feira à noite em que eu tinha acabado de voltar do curso de inglês. Embora tenha visto a partida ao vivo, até hoje fico admirado ao ver o tal lance. Aliás, antes de escrever este post, revi o vídeo relacionado lá embaixo mais vezes do que conseguiria contar, e, em todas as vezes, o máximo que pude fazer foi me surpreender com tamanha obra de arte.

Confesso que faz alguns meses desde que pensei em escrever sobre este gol, mas, por motivos de força maior, acabei adiando a publicação para a data de hoje. Por uma incrível e feliz coincidência, o gol aconteceu exatamente nesta data.

Foi num jogo entre São Paulo e Palmeiras, válido pelo torneio Rio-São Paulo. O Palmeiras venceu por 4x2, e, posso dizer, foi uma partidaça. Do lado tricolor, estavam Rogério Ceni, Maldonado, Luís Fabiano, França e um certo Kaká, recém-promovido das categorias de base. Pelo lado alviverde, monstros sagrados como Marcos, Alex, Arce...

Pois bem, vamos ao dia 20 de março de 2002. Aos 27 minutos do primeiro tempo, o Palmeiras já vencia o São Paulo por 2x0 e não dava a menor impressão de que ia tirar o pé do acelerador. A mágica começou em um ataque palmeirense pela direita. Numa rápida troca de passes, o legendário lateral alviverde Arce lança Magrão, que encontra Christian desmarcado na intermediária. Christian não hesita em tocar de primeira para um jogador que parte como um relâmpago em direção à área são-paulina, apesar de dois zagueiros tricolores estarem atentos ao lance.

A bola ainda nem havia chegado ao seu destino e o defensor Emerson já se preparava para interceptar o jogador que recebeu o passe, aguardando o momento exato para dar o bote – no caso, o armador Alex. Se o camisa 10 palestrino tentasse passar pela esquerda, Emerson o desarmaria com facilidade; se tentasse passar pela direita, havia outro zagueiro na sobra; se tentasse passar no meio dos dois, seria louco. Mas o número 10 costuma ser entregue a jogadores diferenciados, e, como tal, Alex conseguiu enxergar uma saída.

Por cima.

Bastou um único toque para que a bola encobrisse Emerson, num chapéu tão desconcertante que, quando o zagueiro se virou, Alex já estava cara a cara com Rogério Ceni. Rogério, que meses mais tarde seria o terceiro goleiro da seleção campeã do mundo, abandonou a meta desesperado. Já havia sofrido dois gols em menos de meia hora, e, se sofresse o terceiro, poderia eliminar qualquer possibilidade de o São Paulo reagir. Ele esperou a bola quicar, avançou sobre Alex, e... veio outro chapéu.

O toque sutil para o gol, sem deixar a bola cair, foi a assinatura perfeita para uma das maiores obras de arte que o Morumbi já viu, um verdadeiro patrimônio futebolístico da humanidade. Um gol de craque, um gol de placa, um gol de outdoor – como esse que a torcida palmeirense colocou na frente do CT do São Paulo no dia seguinte. Alex precisou de quatro segundos e três toques na bola para construir esse monumento no gramado.

E eu, na minha condição de espectador da partida pela TV, só me lembro de sentir uma mistura de fascínio e raiva quando assisti a este lance. Fascínio porque foi algo tão maravilhoso que, quando me dei conta, estava comemorando um gol de um time que não era o meu. E raiva porque o autor da tal maravilha esteve no meu time de verdade seis meses antes, sem demonstrar a metade da genialidade presente neste lance.

Pra minha sorte, pouco depois ele voltou ao Cruzeiro e me deu motivos de sobra – e põe sobra nisso – pra esquecer essa raiva.

Obrigado, Alex.

Não só por 2003, mas por me ter feito gostar ainda mais de futebol.

Com vocês, o golaço:

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“Crônica F.C.” – Enfim, olharam para a Toca da Raposa

Agradecimentos ao Edward. O texto também está disponível aqui.

O elenco do Cruzeiro é mais ou menos o mesmo desde 2008. O time esteve em todas as edições da Copa Libertadores daquele ano em diante, e, embora não tenha vencido nenhum título expressivo desde então, sempre terminou o Campeonato Brasileiro entre os quatro primeiros. Nesse período, apenas dois jogadores do clube foram brevemente convocados para a Seleção: o volante Ramires (que deixou o Cruzeiro pouco depois da sua primeira convocação, mas continuou sendo chamado) e o lateral-esquerdo Gilberto (por absoluta falta de opção às vésperas da Copa do Mundo).

Hoje, o técnico Mano Menezes anunciou quem são os 23 jogadores que enfrentarão a Escócia no dia 27 de março. E uma das novidades veste a camisa azul-estrelada.

Enfim, olharam para a Toca da Raposa.

Enfim, se lembraram de um atleta fundamental para o time nesses últimos anos.

Um jogador que chegou como titular, depois passou algum tempo fora da equipe e, quando voltou ao time principal, conquistou a confiança do torcedor com suas freqüentes boas atuações.

Uma peça importante no setor defensivo, que tem sido decisivo para o bom desempenho do Cruzeiro durante todo esse tempo.

Alguém que certamente está entre os melhores do país em sua posição.

O convocado foi o volante Henrique, merecidamente. Mas a descrição acima seria mais merecida ainda caso se referisse ao goleiro Fábio...
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"Crônica F.C." - Arsène Wenger, os eternos meninos e a derrocada























À esquerda: O capitão Cesc Fàbregas, meia espanhol, de 23 anos.
Em cima: O velocista atacante inglês, Theo Walcott, de 21 anos.
Em baixo: O polivante meio-campista inglês, Jack Wilshere, de 19 anos.




Para muitos antropólogos e estudiosos do assunto, o termo “cultura” significa o resultado de tudo aquilo que é apreendido durante a vida em sociedade, ou seja, independente de princípios ou fatores biológicos. No caso do futebol, o mundo dos treinadores exemplifica bem esta definição de Edward Tylor. Nos gramados brasileiros, vimos um costume bastante distinto com relação ao futebol europeu. Trata-se da ciranda dos técnicos. Recentemente, a última grande vítima foi Adilson Batista, ex-Cruzeiro e Corinthians, demitido pelo Santos. Com apenas 11 jogos e somente uma derrota, a diretoria, sob pressão da torcida, o coloca para fora e abandona todo um projeto, sem pestanejar. É fato que não demorará tanto e ambos caçarão novos rumos... Adilson com sua nova casa e o Santos com seu novo professor. Natural do futebol brasileiro. Como de praxe.

Já nos principais campeonatos europeus, percebemos que um projeto a longo prazo é a marca dos principais clubes. O estado de paciência já está enraizado nos costumes deles. É uma cultura. Não será um tropeço hoje ou amanhã que definirá o futuro do técnico. Um dos principais exemplos disso vêem da Premier League... Alex Fergunson? Não. Desta vez, trata-se do francês Arsène Wenger.

15 anos de casa é para poucos. Wenger é o treinador da equipe profissional do Arsenal desde 1996. De lá para cá, foram três Campeonatos Ingleses, quatro FA Cup e um vice-campeonato europeu em 2006. O desempenho em si não foi tão surpreendente assim, mas a influência que o francês obteve, revolucionando o modo de jogo dos Gunners e impondo um estilo técnico e tático bem diferente da história do clube, acabou conquistando os torcedores do time londrino.

Porém, nos últimos anos, o treinador vêem sendo marcado pelo seu hábito de pinçar novos talentos em países periféricos e investir nas categorias de base para montar um time jovem, viril e cheio de talento. Mas a fórmula não está dando certo há anos. Muitos títulos passaram perto das mãos do Arsenal e a torcida os viu irem embora devido a falta de experiência e poder de decisão da equipe. Em 2011, tivemos mais um exemplo disso.

No último domingo, o Arsenal conseguiu o feito de perder a FA Cup para o modesto Birmingham City, em pleno Wembley lotado, quebrando uma série de quase 50 anos sem um título de expressão dos Blues. Um feito incrível para os padrões ingleses. O “belíssimo” futebol praticado pela equipe vermelha na temporada, levava a crer que o festival de gols estava garantido. Santa ilusão. Mais uma vez, a frustração tomou conta dos torcedores dos Gunners e o jejum de seis anos sem ganhar nada continua mais vivo do que nunca.

Esta incrível final explicita o equívoco que Arsène vêem cometendo sob o comando dos Gunners há algum tempo. Eternas promessas surgem e desaparecem constantemente nas mãos do francês. Entra ano e sai ano, o time londrino é sempre credenciado como um dos favoritos aos títulos que disputam e fonte de aposta de muitos torcedores. O “dessa vez, vai” já virou rotina no Emirates Stadium. Com um futebol talentoso, criativo, bonito e eternamente promissor, o Arsenal entra para as temporadas sempre com a esperança de transformar todos estes atributos em eficiência. Mas o time está muito, muito longe de virar um novo Barcelona. Promessas e aspirantes a craque não param de se multiplicar no Arsenal. “Robinhos” e “Diegos” dominam o elenco. Fábregas, o eterno futuro melhor do mundo, Walcott, o para sempre menino (nem tão menino mais assim) prodígio. Rosicky idem. Arshavin, o ex-craque... São mais alguns exemplos da legião de jogadores que rondam as páginas da história do Arsenal.

Até quando os torcedores se satisfarão com algumas belas partidas, pedaladas, voleios e futebol arte? Será apenas isso que ganha jogo, ou melhor, títulos? Pelo andar da carruagem, terão que esperar até o fim de 2014 (ano do término de contrato de Wenger) para que a glória volte a reinar pelas bandas do Emirates...
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“Crônica F.C.” – A última queda do Fenômeno

Já cansei de usar esse espaço para fazer desabafos e reclamações, meio que ignorando as distinções entre jornalista e torcedor. Mas hoje eu não estou “meio” que ignorando, estou ignorando completamente. O que eu vou postar a seguir é um depoimento pessoal em homenagem a um dos melhores centroavantes que o mundo já viu. Não como jornalista, não como torcedor, mas como fã.

Não sei quanto a você que está lendo o texto, mas eu me lembro muito bem do dia 12 de julho de 1998. Eu tinha nove anos e meio de idade e, naquela tarde de domingo, minha família foi a última a chegar à casa da minha avó para assistir à final da Copa do Mundo. Lembro que levei uma pequena mala comigo – era a primeira vez que ia dormir fora de casa sem meus pais.

A camisa número 10 do Raí em 1994 – e que eu usei em todos os jogos de 1998 – podia dizer o contrário, mas, até a Copa da França, eu não gostava de futebol. Quer dizer, tinha sei lá quantas camisas do Cruzeiro (raríssimas numa família de atleticanos como a minha), tive um amigo invisível chamado Ronaldinho quando menor, mas não gostava de futebol. Mas foi só ver aquele tanto de gente vestindo amarelo na frente da TV, incentivando aquele camisa 9 de cabeça raspada a destruir as defesas adversárias, que eu não demorei a mudar de ideia. Tanto não demorei que não vi metade dos gols do Brasil na primeira fase. Eu assistia ao primeiro tempo e, no segundo, ia jogar bola na varanda com um primo.

Bem, voltemos ao 12 de julho. Não jogamos bola por dois motivos: primeiro porque a varanda estava cheia de mesas com salgadinhos e segundo porque o Zidane não deixou a gente desgrudar os olhos da TV. Os dois gols dele fizeram os salgadinhos esfriar. O do Petit fez todo mundo perder a fome.

Assim que o jogo acabou, enquanto ouvia o estouro dos balões mais triste da minha vida, caminhei pro banheiro e passei uns longos dez minutos chorando. Não podia acreditar que o melhor jogador da seleção tinha passado mal. Não conseguia entender como era possível que o Brasil perdesse. Fiquei tão abatido que perdi a vontade de dormir na casa da minha avó, preferi voltar pra casa. Mas nem no meu quarto eu dormi direito.

E eu, que sequer gostava de futebol há pouco mais de um mês antes daquela tarde infeliz, coloquei na minha cabeça que seria o camisa 10 da seleção na Copa de 2010. Teria 21 anos, a mesma idade do Ronaldinho em 98, e daria o passe pra ele marcar o gol da vitória em um jogo contra a França. Queria me vingar do Zidane. Guardei raiva dele durante anos.

Pois bem. Treze anos e muitas doses de realidade depois disso, aqui estamos. Só evoquei uma das minhas lembranças mais tristes porque minha noite de domingo foi tão ruim quanto aquela. Meu herói de infância, que teve a carreira dada por encerrada três vezes depois daquela final, dessa vez não vai ressurgir das cinzas. Vai demorar muito tempo pra cair a ficha de que não vou vê-lo mais em atividade.

Dói chamar Ronaldo de ex-jogador. E, pior do que isso, não foi a aposentadoria que o Fenômeno merecia. Não havia necessidade de passar vergonha tentando enaltecer o final da carreira, e nem de alimentar o sonho de ganhar a Libertadores. Ronaldo já não precisava provar nada a ninguém. Fora decisivo em todos os clubes onde jogou. Ressuscitou para o futebol mais vezes do que podemos acreditar. Todo o carinho que demonstrou pela bola foi recíproco.



Diferentemente de 1998, agora eu consigo enxergar os lados positivos da situação. Se daquela vez Ronaldo saiu de cena derrotado por Zidane, a figura que fica agora é a de um grande vencedor. O homem que entra para a história não é o centroavante fora de forma que levou a culpa pela eliminação do Corinthians na Libertadores, e sim o jogador que encantou o Brasil e o mundo com gols espetaculares.

Gordo, magro, careca, cabeludo, pegando mulher, pegando traveco... nada disso importa. Nada disso apaga a imagem que se perpetuou na mitologia futebolística.

Porque daqui a uns 15 anos, quando eu tiver um filho com idade para aprender a gostar de futebol, ele certamente vai me perguntar quem foi o melhor que eu vi jogar.

— Ah, tem o Ronaldo...
— Ronaldo? Acho que já ouvi falar... que jogador era esse, pai?
— Jogador? Era mais do que isso, filho. Era um Fenômeno.
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“Crônica F.C.” – Não precisava ser assim... (III)

Terceiro e último da série, assim espero.



Algo que me impressiona no mundo do futebol é a rapidez com que certas reviravoltas acontecem.

Hoje é dia 13 de fevereiro de 2011. Há exatos onze dias, o Corinthians foi à Colômbia para enfrentar um desconhecido clube local e, conforme se esperava, apenas confirmar presença na fase de grupos da Libertadores. Já sabemos que o esperado não aconteceu. O problema é o que houve depois...

Primeiro de tudo: é desnecessário falar da decepção que uma torcida sofre quando vê seu time sendo eliminado de um torneio tão importante. No dia seguinte, os corintianos de verdade estavam quietos em casa, achando que o ano tinha acabado. E, enquanto isso, uma meia dúzia de BANDIDOS fantasiados de torcedores atirava pedras em ônibus, saía no braço com a polícia, quebrava carros de jogadores e destruía o CT. Tudo isso porque o “clube do coração” (ênfase nas aspas, por favor) deles perdeu um jogo. Ah é, e ninguém foi preso.

Mais três dias e vem o clássico com o Palmeiras, num Pacaembu dominado pelo verde. Os medalhões do time, com as cabeças postas a prêmio, não passaram nem perto do gramado. Pelo menos não ficaram com calo na vista, vendo o alvinegro vencer por 1x0 num jogo horroroso.

Eles também não estiveram presentes na reestreia de Liédson, contra o Ituano. Nem 7 mil pessoas viram o time vencer por 4x0. E, enquanto isso, os tais bandidos citados anteriormente – que, se fossem torcedores mesmo, estariam lá no meio dos 7 mil – preferem ameaçar o lateral Roberto Carlos e sua família.

Nada disso precisava ser assim. Muito menos o que veio a seguir. Nada disso precisava tomar a dimensão que tomou.

Acabou que, em menos de duas semanas, o time que poderia ser campeão da Libertadores ruiu.

Ok, não existem jogadores maiores que os clubes, nem empregos vitalícios no futebol. Mas não é certo ignorar deliberadamente a contribuição de certos atletas para com as instituições por causa de um ou outro evento, por mais catastróficos que sejam.

Roberto Carlos, com 38 anos nas costas, foi o melhor lateral-esquerdo do último Brasileirão e continuava entre os melhores do país. Em pouco mais de um ano, jogou 64 partidas pelo Corinthians e marcou 5 gols – números importantes se levarmos em consideração a idade do jogador. Mas nada disso parecia importar quando ficou de fora do jogo contra o Tolima. Daí, surgem as já citadas ameaças e, quando ele aceita uma proposta milionária do futebol russo, aparece jornalista falando que a saída se deu pelo dinheiro, como se o indivíduo não fosse rico o suficiente e não temesse pela sua segurança.

Ronaldo se acostumou a resolver partidas durante toda a sua carreira, e foi fundamental na conquista da Copa do Brasil em 2009. Foi só não resolver o jogo contra o Tolima que, por isso, mal podia sair na rua sem ouvir desaforos. De repente, já não era mais o jogador que ensinou ao Corinthians a valorizar sua marca. Chegou num nível que não agüentou nem as dores no corpo e nem as cobranças da torcida – preferiu se aposentar. Forma física à parte, não era o final de carreira que o Fenômeno merecia.

No fim das contas, um dos principais jogadores corre o risco de sair (Bruno César), dois já pularam fora pra valer e, com eles, provavelmente devem ir embora cerca de 50% da renda do Timão.

Lógico que eu, que torço pra outro time, não tenho nada com isso, mas tenho um recado pra você, corintiano, que exigiu as saídas de Roberto Carlos e Ronaldo. Imagine-se como um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, dependendo do Danilo pra armar as jogadas e do Leandro Castán pra proteger a defesa. Ah, e sendo treinado pelo Tite. Deu certo? Não, né? Então agora se vira com o Liédson sem companheiros ou reservas decentes e com o Fábio Santos na lateral =)

A eliminação precoce na Libertadores poderia não ser o fim do mundo. Mas a falta de controle e a pressão proveniente disso, sim.

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O Galo é o time da virada


Após uma década desastrosa para a torcida atleticana, a qual inclui o pior momento da história do clube - a queda para a segunda divisão do campeonato brasileiro - e uma seqüência de jogos ruins contra o maior rival, Cruzeiro, vencendo apenas uma partida de 15 disputadas (sendo que, na única vitória do Galo, o Cruzeiro jogava com o time reserva), o Atlético está dando sinais de que pode finalmente voltar a figurar no cenário principal do futebol brasileiro. Muito se deve ao atual presidente do clube, Alexandre Kalil.

Em 2008, ao fazer uma péssima campanha no campeonato brasileiro em razão do elenco limitadíssimo que montou, o presidente à época, Ziza Valadares, renunciou ao cargo e eleições aconteceram cerca de um mês após a saída do dirigente. Alexandre Kalil, que já havia sido eleito Presidente do Conselho Deliberativo do clube em 1999 e em 2004, foi eleito, com 271 votos, e chegou prometendo mudanças e que faria de tudo para que o Atlético voltasse a entrar nas competições para vencer.

Na temporada seguinte, Kalil fez, provavelmente, o melhor negócio de seu mandato, no qual contratou o atacante Diego Tardelli junto ao Flamengo a preço de banana. Contestado por parte da torcida, o atacante logo calou os críticos e se tornou ídolo. Liderou a equipe do Atlético em 2009 para uma boa campanha no Campeonato Brasileiro daquele ano, fazendo com que o time fosse apontado um forte candidato ao título, que escapou nas últimas rodadas. Tardelli foi simplesmente o artilheiro do torneio e ganhou diversos prêmios, como a Chuteira de Ouro, o Prêmio Friedenreich (ambos premiam o jogador que mais marcou gols no Brasil), a Bola de Prata, da Revista Placar e o prêmio Craque do Brasileirão, da CBF e Rede Globo, ambos como melhor atacante do campeonato.

Em 2009, Kalil obteve seu maior acerto, mas em 2010 cometeu seu pior erro: a contratação do técnico Vanderlei Luxemburgo, que começou bem o ano, ao vencer o campeonato mineiro. Mas com o passar do tempo, foi caindo de produção e mesmo com a chegada de grandes jogadores, como Diego Souza, eleito melhor jogador do campeonato nacional do ano anterior, Réver, Daniel Carvalho dentre outros, o time fez uma campanha inconstante e ficou por muitas rodadas na zona do rebaixamento. Em 24 jogos, o treinador conseguiu apenas 21 pontos a frente do time (aproveitamento de pífios 29%, pior do que o 18º colocado daquele ano) e não suportou. Foi demitido após a derrota por 5x1 diante do Fluminense.

Porém a sorte voltou a sorrir novamente para o Galo quando acertou a contratação do técnico Dorival Júnior que, nas últimas 14 rodadas do campeonato, conseguiu 24 pontos, três a mais do que Luxemburgo conseguiu em quase o dobro de partidas, com um ótimo aproveitamento de 57% (melhor do que o do quarto colocado, Grêmio). Importante ressaltar que três destes 24 pontos foram conquistados diante do rival Cruzeiro (aquele mesmo que o Atlético venceu apenas um jogo em 15), numa vitória por 4x3 com três gols do centroavante Obina e com apenas a torcida do Cruzeiro presente no estádio.

Chega o ano de 2011. O Atlético se reforça, bons nomes como Mancini, Leonardo Silva e Magno Alves passam a integrar seu plantel. Já na terceira rodada do Campeonato Mineiro, o Galo vence o Cruzeiro novamente por 4x3, novamente com torcida única do rival e novamente com três gols de um centroavante, desta vez Diego Tardelli. O clube carrega consigo grandes expectativas para este ano, nesta nova década que promete ser bem diferente da passada. Está de volta o “Galo forte e vingador” que a torcida se acostumou a ver nos anos 70 e 80?
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Narrações Inesquecíveis - Cruzeiro x Atlético



31ª rodada do Brasileirão 2010 - 24/10/10
Cruzeiro 3 x 4 Atlético-MG


Primeira partida da final do Campeonato Mineiro 2009 - 26/04/2009
Cruzeiro 5 x 0 Atlético-MG

Não precisa explicar muito.

Interessante é reparar as narrações de Willy Gonser e Mário Henrique, nos gols do Cruzeiro, e Alberto Rodrigues, nos gols do Atlético. Motivos óbvios.

Outra coisa também, na goleada de 5 a 0 sobre o Atlético em 2009, Leonardo Silva não apenas atuou como titular pelo Cruzeiro como marcou dois gols.

Hoje estréia pelo Atlético...


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O "15º título" vem aí?




Mais uma Taça Libertadores está chegando! O torneio mais tradicional e importante da América vai para a 51ª edição e sempre acompanhado de grandes novidades e duelos promissores. Como de praxe, os grandes clubes argentinos e brasileiros polarizarão a competição e as frágeis equipes de países como Peru e Bolívia disputarão o título de “saco de pancadas” do ano. A Argentina possui 27 títulos contra 14 do Brasil. Praticamente o dobro de conquistas. Na última década, houve uma sutil supremacia dos hermanos. Cinco contra três dos brasileiros. Números consideráveis...

Mesmo sem os principais palcos brasileiros – Maracanã, Mineirão e Morumbi estão interditados para reformas visando a Copa de 2014 – ainda assim, teremos boas atrações para este ano. O maior recordista de títulos do torneio está de volta. Depois de sete anos longe da Libertadores, o heptacampeão Independiente-ARG está confirmado no grupo 8... E com quem? O soberano do Uruguai, Peñarol. Vencedor de cinco edições (só atrás do Independiente e do Boca Juniors), a equipe uruguaia promete esquentar a competição. A recém papa-títulos e carrasco do Fluminense, LDU, e o novato argentino Godoy Cruz, completam um dos grupos popularmente conhecidos como “da morte”.


E os brasileiros? Como estão preparados?


Como todo técnico, torcedor e jogador falam: “Time que quer vencer a competição, não deve escolher adversário”. Mais clichê que isso no âmbito do futebol é difícil, porém, tem fundamento mesmo. Inevitavelmente, caminhos mais fáceis e tortuosos acabam surgindo para os representantes do Brasil em qualquer edição do torneio, em virtude do habitual sorteio da Conmebol. Este ano, os gaúchos deram “mais sorte” que os outros brasileiros. O Grêmio terá como companhia os inexpressivos Junior de Barranquilla, León de Huánuco e Oriente Petrolero, já o Inter terá pela frente o Emelec, Jorge Wiltermann e o Jaguares. Porém, mesmo com os frágeis adversários pela frente, o prognóstico gaúcho não é dos melhores...


Mesmo sendo o atual vencedor da Libertadores, o Inter não vem bem desde a recente conquista. A saída do jovem e craque da edição passada, Giuliano, potencializou ainda mais o mau momento colorado.


O Tricolor Gaúcho começou o ano com o “pé esquerdo”. Após a frustrada negociação com Ronaldinho Gaúcho, os torcedores do Grêmio ainda viram o time perder seu artilheiro Jonas, negociado praticamente de graça para o Valencia, por razões políticas, há de se ponderar.


Fluminense e Cruzeiro não terão vida fácil. O Tricolor Carioca, que busca seu primeiro título continental na história, estará no grupo 3 com América-MEX, Argentinos Juniors e o sempre presente Nacional-URU. Com esta finalidade, o clube das Laranjeiras deposita as esperanças no grupo campeão brasileiro de 2010. Pela força da equipe é sim, credenciado a um dos favoritos, todavia ainda falta o principal para o elenco tricolor. Experiência.


Já o time mineiro, as esperanças de sempre. A “espinha-dorsal” da equipe foi mantida mais uma vez e a confiança no entrosamento ainda serve de alento para os torcedores acreditarem no tricampeonato. A saída precoce, humilhante e histórica do Corinthians ainda na fase preliminar, não irá significar vida fácil para os cruzeirenses. O Tolima mostrou equilíbrio tático e vai dar trabalho para o Estudiantes e a Raposa. Guarani-PAR deverá ser o coadjuvante do grupo.


A volta do Santos na Libertadores é o grande destaque. No grupo 7 com o Cerro Porteño, Colo-Colo e Deportivo Táchira, o Peixe espera quebrar uma escrita de 47 anos e novamente se sagrar campeão continental pela terceira vez em sua grandiosa história. E, pelo jeito, não está tão distante assim... Neymar, Ganso, Elano, Maikon Leite... Este time promete. Será que a camisa 8 será imortalizada?


REDENÇÃO – CRUZEIRO


Leveza. Pode ser um dos substantivos para caracterizar o início de 2011 para o Cruzeiro. Sem tantas alterações drásticas no elenco, o representante mineiro na Libertadores segue acreditando na boa base da Era Adilson. Fábio, Fabrício, Marquinhos Paraná, Henrique, Thiago Ribeiro... Velhos conhecidos da torcida celeste (pelos padrões atuais), esta boa relação ou, no mínimo, de “intimidade” pode ser a “arma” cruzeirense para este ano. As chegadas do zagueiro uruguaio Victorino e do atacante paraguaio Ortigoza devem qualificar ainda mais a equipe. A saída do lateral-direito Jonathan pode ser sentida, caso não haja um substituto do mesmo nível. Outro problema que o Cruzeiro deve enfrentar é a ausência de um centroavante de “peso” no time titular.


TIME-BASE: Fábio; Rômulo (Pablo), Léo, Victorino, Diego Renan; Fabrício, Henrique, Gilberto e Montillo; Thiago Ribeiro e Wellington Paulista. Técnico: Cuca.


POR UM “2007” MAIS FELIZ – GRÊMIO


A saída do artilheiro Jonas foi um “baque” para os torcedores gremistas, ainda mais coincidindo com a vinda frustrante do astro Ronaldinho Gaúcho. Mas a diretoria demonstrou que comodidade e inércia não fazem parte do seu trabalho. As vindas de Escudero, Carlos Alberto e Rodolfo mostraram que o clube ambiciona algo mais. Comparado com os outros representantes brasileiros, o time titular do Grêmio parece ser razoável. Algumas peças interessantes como o goleiro Victor e o armador Douglas. Talvez estejam um pouco atrás do Fluminense, Santos e Cruzeiro. Mas tradição não falta para os tricolores gaúchos. E Renato Gaúcho sabe muito bem disso...


TIME-BASE: Victor; Gabriel, Paulão, Rodolfo e Gilson; Fabio Rochemback, Adilson, Lúcio (Carlos Alberto) e Douglas, Viçosa (Diego Clementino) e André Lima. Técnico: Renato Gaúcho.


EM BUSCA DO BI – INTER


Apostar em gringos costuma ser uma boa alternativa em competições continentais para os times brasileiros. Parece que o Inter entendeu o recado até demais. O volante Bolatti, aquele mesmo autor do gol da classificação argentina para a Copa do Mundo de 2010, e o atacante Hermano Cavenaghi, ex-River Plate, Bordeaux e Mallorca foram as contratações mais bombásticas do Inter. O meia-atacante Zé Roberto, ex-Vasco, veio para substituir Giuliano, transferido para o futebol ucraniano. D’Alessandro continua sendo a esperança colorada. Dois bons motivos para conquistar a Libertadores rondam o Beira-Rio Três títulos da Libertadores em um intervalo de cinco anos não só daria a hegemonia ao Internacional, ao lado do São Paulo, como ultrapassaria seu maior rival, também bicampeão do torneio. O “10” argentino não vai estar sozinho nesta missão. Nomes como Rafael Sóbis, Guiñazu e Tinga serão seus fiéis escudeiros para repetir o feito do ano passado.


TIME-BASE: Lauro; Nei, Bolívar, Sorondo, Kléber; Guiñazu, Tinga, Bolatti (Zé Roberto) e D’Alessandro; Rafael Sóbis e Cavenaghi. Técnico: Celso Roth.


ÁGUAS PASSADAS – FLUMINENSE


Muricy Ramalho: Tetracampeão brasileiro, uma Copa Conmebol, cinco Estaduais... Nunca venceu a Libertadores. Fluminense: Tricampeão brasileiro, uma Copa do Brasil e inúmeros Campeonatos Cariocas... Mas jamais conquistou a Libertadores. A combinação perfeita? 2010 deu certo, o que esperar para a nova temporada? O maestro Conca continua na equipe, que agora terá o artilheiro Fred de volta, após um ano marcado por lesões crônicas. Diego Cavalieri veio para dar mais segurança a meta do Tricolor Carioca. Edinho e Souza vieram buscar seus espaços no meio-de-campo. Araújo e Rafael Moura formarão a dupla de ataque reserva. Um elenco meticulosamente criado e com todo o potencial para entrar definitivamente na história do Fluminense. 2008? Jamais.


TIME-BASE: Diego Cavallieri; Mariano, Gum, Leandro Euzébio, Carlinhos; Diguinho, Edinho (Deco), Souza e Conca; Émerson e Fred. Técnico: Muricy Ramalho.


A VOLTA PARA A GLÓRIA – SANTOS


Octacampeão nacional, após o reconhecimento oficial da CBF. Bicampeão da Libertadores na Era Pelé e a um título de igualar o Tricolor Paulista. Com a legião de bons jogadores no time principal, será que finalmente o Santos quebrará a escrita de 47 anos sem um título continental sequer? Com os talentosos Neymar e Ganso, o experiente Elano, os “braços-direitos” Jonathan e Charles e o arisco Maikon Leite, realmente não é difícil de acreditar. O elenco é poderoso e o favoritismo paira na Vila Belmiro. Apesar dos tradicionais Cerro Porteño e Colo-Colo, a fase de grupos não deverá tirar tanto o sono do Peixe. Resta saber se a versão 2.0 santista não irá sucumbir e adiar o sonho do tricampeonato e da consagração definitiva.


No 4-3-3:


TIME-BASE: Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval, Léo; Arouca, Elano e Ganso; Maikon Leite, Neymar e Keirrison. Técnico: Adilson Batista.


No 4-4-2:


TIME-BASE: Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval, Léo; Arouca, Charles, Elano e Ganso; Neymar e Keirrison (Maikon Leite). Técnico: Adilson Batista.

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“Crônica F.C.” – Não precisava ser assim... (II)

Pra falar a verdade, pensei em escrever uma crônica intitulada “A justiça tarda, mas não falha”, mas me pareceu forçado demais, pra não falar em clichê e tendencioso. Depois, pensei em “Toliminado”, aproveitando um recente Trending Topic do Twitter, mas também não me convenceu. Portanto, preferi dar continuidade a algo que eu já havia escrito.

O time do Corinthians não mudou tanto entre os 97 dias que separaram o assalto contra o Cruzeiro no Pacaembu e o vexame diante do Tolima em Ibagué. O capitão William se aposentou e o volante Elias foi para o Atlético de Madrid, mas, fora isso, o time apenas se livrou de alguns pesos mortos, como Souza, Boquita, Thiago Heleno, Defederico... ainda assim, mesmo com cinco jogadores retornando de empréstimo e mais algumas contratações, o elenco alvinegro de 2011 nada mais era do que uma versão envelhecida, enfraquecida e fora de forma do de 2010.

Mas isso não serve de desculpa pra a eliminação precoce na Copa Libertadores (desculpa aí se decepcionei alguém, mas pré-Libertadores não existe). Não precisava ser assim.

Não precisava ser assim porque a Libertadores é o tipo do torneio que ninguém vence na base do “já ganhou” – o salto alto do Fluminense diante da LDU e do Cruzeiro contra o Estudiantes não me deixa mentir. Enfrentando um adversário desconhecido, o Corinthians achou que já estava garantido na fase de grupos – e, se antes nenhum corintiano conhecia o Tolima, agora nenhum esquecerá.

Não precisava ser assim porque o Timão tem, de fato, um elenco capaz de ser campeão continental, mas que, principalmente por ser treinado pelo Tite, é cheio de poréns. O time precisava fazer gol e não tinha UM jogador sequer para armar as jogadas, porque entrou com três volantes preocupados em marcar, os improdutivos Jorge Henrique e Dentinho nas pontas e o Ronaldo paradão no ataque, enquanto Danilo e Bruno César (um dos melhores camisas 10 do último Brasileirão) esquentavam banco. O goleiro Júlio César fez um bom Campeonato Brasileiro e esteve bem na partida de ontem, mas não faz milagre sozinho, principalmente com o Leandro Castán à sua frente. Roberto Carlos, acostumado a jogos decisivos, foi vetado. E o peruano Luis Ramírez, que estreou fazendo gol no Paulistão, conseguiu piorar ainda mais as coisas sendo expulso um minuto depois de entrar em campo.

Não precisava ser assim porque Ronaldo, que afirmou pra Deus e o mundo que queria conquistar as Américas em seu último ano como profissional, insiste em entrar em campo em condições físicas que chegam a ser desrespeitosas com o torcedor. Continua sendo meu ídolo e sempre será, mas acho que o futebol está parando com ele antes que ele pare com o futebol.

E enfim, que me perdoem os alvinegros, mas não precisava ser assim porque tem vitórias que são mais difíceis de conseguir sem a ajuda da CBF.

Independente de (falta de) títulos continentais, ajuda da arbitragem ou possíveis vexames, o Corinthians é um gigante do futebol brasileiro e mundial e continuará sendo. Mas, pra quem quer vencer o torneio até 2014, presidente Andrés Sanchez, ainda falta muita coisa pra corrigir.

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Não é pra qualquer um - Não é coincidência. Splitter tem sorte

Quem gosta de basquete no Brasil, sofre. Seja pela dificuldade de se praticar, pelo ainda minúsculo espaço que o esporte tem na mídia, seja pela carência de bons jogadores nascidos por aqui. Não é como futebol, onde estamos acostumados com levas de jogadores talentosos sendo formadas todos os anos e chamando a atenção de todo o mundo. O nosso basquete ainda não é assim.

Por todas essas razões, é completamente compreensível que nós brasileiros fiquemos frustrados com a opção do treinador Gregg Popovich, do San Antonio Spurs, em não dar muito tempo de quadra ao nosso compatriota, o pivô Tiago Splitter. Para muitos, até o ano passado, ele era o melhor jogador do planeta fora da NBA. Já jogando no basquete europeu antes mesmo de completar a maioridade, Splitter tem uma extensa lista de premiações e conquistas no basquete do Velho Continente. Incontestável. O Spurs que o diga.

Na Draft da NBA de 2007, a franquia do Texas selecionou Splitter, na 28ª escolha. Contudo, o atleta optou por continuar no basquete espanhol, por uma situação financeira mais atraente. Nada mais justo. Os direitos do atleta na NBA continuariam vinculados ao Spurs.

No meio de 2010, ao fim da temporada européia, Splitter decidiu atravessar o Atlântico e dar início à sua caminhada na NBA. Logo após ser escolhido o MVP da temporada regular espanhola e também MVP das finais do torneio, do qual sua equipe, o Caja Laboral, foi campeã. Era hora de aceitar o desafio do melhor basquete do mundo. Mas ninguém falou que seria fácil.

Na atual temporada, tempo de quadra se tornou algo raríssimo para o catarinense, o que é, no mínimo, estranho, pois nas vezes em que teve chance de jogar, ele não decepcionou, como quando jogou 26 minutos contra o Cavaliers e anotou 18 pontos, pegou cinco rebotes e deu dois tocos. No jogo seguinte, contra Orlando, ele ficou menos de um minuto em quadra. Em 11 dos 39 jogos do time na temporada, Splitter sequer deixou o banco de reservas. Não apenas nós brasileiros, mas a própria torcida do time nos EUA contesta o trabalho que Popovich faz com Splitter. O treinador quer cautela. É seu jeito de trabalhar.

Mas por que raios fazer isso?!

Apesar de não entendermos imediatamente a “política Popovich”, é inegável que ela teve resultados. Em 2001, o técnico optou por investir na contratação de Bruce Bowen, um atleta que começou a carreira com 25 anos e não havia se firmado em time algum da NBA. Sob o comando de Popovich, ele foi escolhido em oito temporadas para o time dos melhores defensores da NBA, sendo considerado por muitos um dos melhores defensores que a NBA já viu.

Dois outros casos são emblemáticos. Na 57ª escolha do Draft de 1999, o Spurs selecionou o argentino Manu Ginóbili. Como Splitter, o hermano passou mais alguns anos na Europa para depois jogar na NBA. Os primeiros meses de Ginóbili na NBA foram, assim como os de Splitter, de poucos e irregulares minutos de quadra. Com o decorrer daquela temporada, Ginóbili foi ganhando confiança e pôde ver seus minutos aumentando. Nas temporadas seguintes, ele conseguiu se tornar um dos melhores jogadores da liga e também do mundo, carregando a Argentina ao ouro olímpico em 2004.

Bowen, Duncan, Parker e Ginóbili, que levaram o Spurs a três títulos nesta última década.

O outro caso, apesar de diferente do de Splitter, é também uma demonstração da competência das escolhas de Popovich. É o armador francês Tony Parker, um “achado” no Draft de 2001, selecionado na 28ª escolha. Por uma escassez de armadores de qualidade na equipe daquela temporada, Parker, mesmo aos 19 anos, conseguiu ser titular em quase todos os jogos da temporada. Assim como os dois anteriores, Parker também se tornou uma estrela muito maior do que a sua posição de escolha no Draft (ou até mesmo a falta de um Draft, no caso de Bowen) poderia prever.

Escolhidos mais recentemente, DeJuan Blair e George Hill, 37ª e 26ª escolhas em seus Drafts respectivamente, vêm mostrando que têm tudo para engrossar a lista de “achados” de Gregg Popovich.

Durante esta temporada, provavelmente não entenderemos as escolhas de Popovich a respeito de Splitter. Afinal, só estando dentro do grupo do Spurs, viajando por todo o país, treinando todos os dias e jogando várias vezes por semana para se ter a certeza dos motivos do treinador. Porém, podemos ter a certeza de que nosso pivô está nas mãos daquele que demonstrou uma capacidade altamente incomum de enxergar o talento em um jogador de basquete e de viabilizar o sucesso desse jogador. Com Splitter não foi diferente e esperamos que o futuro dele na NBA também não seja.
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O Dono do Mundo


Aos 23 anos de idade, o argentino prodígio Lionel Messi já conquista seu segundo prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA, marca um tanto incomum para um jogador tão jovem. Messi já impressionava o mundo em 2005, aos 18 anos, quando foi convocado para a seleção da Argentina pela primeira vez e ganhou inclusive o prêmio de melhor jogador jovem do mundo no mesmo ano.

Já não bastasse, Messi já marcou mais de 150 gols em sua carreira (15 apenas pela seleção), venceu quatro campeonatos espanhóis, duas ligas dos campeões (e foi artilheiro das duas últimas edições), um mundial interclubes e, pela seleção nacional, foi ouro olímpico em Pequim 2008 e campeão do mundial sub-20 em 2005.

Mesmo com esses impressionantes números pelo Barcelona, Messi é questionado por suas atuações jogando pela seleção de seu país, por isso, há muita divergência sobre quem será o Messi dos próximos anos.

Alguns menosprezam, dizendo que é “fogo de palha”, “foguete molhado” e que logo perderá toda a badalação, como aconteceu com Ronaldinho, que ganhou o prêmio de melhor jogador do mundo por duas vezes (2004 e 2005) e depois disso seu futebol caiu drasticamente. Saiu do Barcelona, foi para o Milan e não encantou por lá. Está agora no Flamengo, numa busca de certa forma desesperada para disputar a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Outros já exageram, dizendo que será melhor do que Pelé e Maradona e até mesmo que já é o maior jogador de todos os tempos. É dito por muitos que, para ser melhor que Maradona ou Pelé, Messi deve ao menos vencer uma Copa do Mundo, e a seleção argentina não foi longe nas duas copas que Messi disputou: caiu nas quartas de final em ambas as edições (2006 e 2010), para a Alemanha.

Melhor jogador de todos os tempos? Muito difícil. Mil gols na carreira? Nada impossível para Messi que, como já citado, já marcou mais de 150 vezes e tem apenas 23 anos. Lionel Messi tem tudo para ganhar uma Copa do Mundo (provavelmente disputará as próximas duas ou até três edições), não deverá ter um declínio brusco como o de Gaúcho, pois, por incrível que possa parecer, ainda pode melhorar o seu futebol e tem muito tempo para isso. Se as coisas não mudarem muito daqui para frente, não posso medir quantos prêmios de melhor jogador do mundo Messi vai receber.
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