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J.E.C. Entrevista - Fábio Júnior

Gabriel Gama (Eu), Fábio Júnior e Guilherme Pedrosa





Uma carreira inusitada, mas de sucesso. A bola da vez do J.E.C da semana é o folclórico Fábio Júnior (pode ser o Sandro Meira Ricci, também...).

De Al Wahda, passando por Brasiliense e chegando a Roma. Fábio já viu sua carreira à beira da decadência. Sofreu com o descrédito e dos longos jejuns sem marcar. Mas deu a volta por cima. Isso tudo, “só” com 32 anos! Atualmente é o artilheiro da Série B com 18 gols e é uma das peças-chave na grande campanha do América-MG rumo a Primeira Divisão.

Cerca de três semanas atrás, os jornalheiros Gabriel Gama (eu) e Guilherme Pedrosa foram ao CT do América para averiguar como é a rotina de um jogador profissional (treinos, entrevistas etc). Conhecemos pessoas ilustres como a Sônia Mineiro da TV Alterosa, Bruno Azevedo da rádio Itatiaia, Carlos Cruz, assessor do América (Pedrosa já conhecia fazia tempo) e acompanhamos a cobertura de um treino diário. Um dia muito bacana e que só podia ser coroado com uma entrevista de Fábio Júnior. O primeiro jogador de futebol conhecido, a ser entrevistado, no J.E.C. Repito. De futebol.


PS: A entrevista foi feita quando faltavam 6 jogos para o término da Série B (faltam 2, agora). E se o América vencer o Sport, neste sábado, na Arena do jacaré, e o Ipatinga vencer ou empatar com a Lusa, no Canindé, o coelhão estará matematicamente promovido para a elite do futebol nacional no dia do aniversário de seu artilheiro. #acreditaamerica

Confiram, na íntegra, a entrevista com o menino dos 15 milhões de dólares:


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J.E.C. Entrevista - Flávio Davis

Foto: Orlando Bento/MTC
Por Thiéres Rabelo e Gabriel Gama

O "Não é pra qualquer um" desta semana traz uma nova entrevista. Para conferir a da semana passada, clique no marcador "J.E.C Entrevista", no menu ao lado.

Após dez anos à frente da comissão técnica da equipe adulta de basquete do Minas Tênis Clube, o treinador Flávio Davis, de 44 anos, deixou o cargo ao fim da última edição do Novo Basquete Brasil (NBB) e hoje é o coordenador das categorias de base do esporte no clube.

Em entrevista, Davis falou sobre sua história no basquete, de sua experiência treinando a equipe adulta do Minas e de seu futuro no esporte. Além disso, ele também comentou sobre o futuro da equipe na temporada do NBB que se inicia neste mês de outubro e também da seleção brasileira.

P: Como foi a sua trajetória no basquete antes de assumir o profissional do Minas?
R: Eu posso falar que nasci em uma quadra de basquete. Meu pai é professor de educação física, foi meu primeiro técnico de basquete, quando a educação física era valorizada pelas escolas públicas. Em toda a minha trajetória estudei em escola pública e lá tínhamos os treinamentos das equipes. Surgiram vários atletas para os clubes e desde que eu me entendo por gente eu freqüentava esses treinamentos. Meu pai dava os treinamentos de basquete e de outros esportes e ele me deu motivação logo depois de ser um atleta de basquete até seus 18 anos. Com 15 eu já trabalhava com escolinhas de basquete e depois com as categorias competitivas do mini-basquete. Então fui técnico em todas as categorias, do mini-basquete até o juvenil e em seguida no adulto. Nesta categoria, fui assistente técnico durante dez anos, não só aqui no Minas, mas em outros clubes.

P: Nos dez anos à frente da equipe principal, alguma temporada foi especialmente memorável para você?
R: O nosso processo à frente da equipe adulta foi uma conquista do basquete do Minas, junto às competições mais importantes. Primeiro passamos por um processo fora da Liga Nacional. Depois reconquistamos essa vaga, sempre nos classificando para os playoffs em nossas participações. Depois de 2003 começamos a ter uma participação interessante, não só na Liga Nacional, mas também em competições sulamericanas, a Copa América e a Liga Sulamericana de Clubes. Em 2007 nós tivemos uma temporada muito boa, onde além de conseguir o terceiro lugar no nacional, nos sagramos campeões no Campeonato Mineiro, na Liga Sulamericana de Clubes e na Copa Internacional de Amsterdã, sendo o único clube brasileiro a ser campeão deste torneio. Foi uma temporada especial, que não apenas colocou o Minas no cenário brasileiro, como também deu reconhecimento ao clube no cenário internacional. A Liga Sulamericana é disputada pelas melhores equipes da América do Sul, como Boca Júniors, Peñarol e Brasília. Na Europa também fomos bem, enfrentando a seleção israelense na final, uma equipe que disputa o Campeonato Europeu. Foi uma temporada especial.

P: Como você avalia, para a sua carreira, seu aprendizado no tempo em que fez parte da comissão técnica da seleção brasileira no início da década?
R: Em todo momento um professor passa por esse processo de aprendizagem. O professor que fala que sabe tudo, não é professor. Professor é aquele que está em constante capacitação e que está sempre em busca do que há de novo na sua área de atuação. E a seleção brasileira é um aprendizado muito importante. Não só a seleção brasileira, mas qualquer pessoa que busca subir na sua profissão precisa sempre querer aprender mais, procurar sempre melhorar, na sua capacidade, para ser o melhor profissional não só onde ele atua, mas também como pessoa. Eu acho que a seleção brasileira me deu essa possibilidade, pois pude viajar ao exterior, ver novas tendências do basquete. Me deu a oportunidade de ir à Europa, de fazer cursos na NBA (liga profissional dos EUA) todo ano e esse é um aprendizado que eu talvez não tivesse, caso fosse apenas um treinador de clube. A gente tenta passar essa experiência para os outros técnicos, pois essa é a melhor maneira de deixar o nosso basquete ainda mais forte.

P: É fundamental o surgimento de novos talentos no basquete. Mas e os treinadores? Qual seria a melhor alternativa para qualificar os novos professores?
R:
Tem que existir um meio para fazer essa capacitação. Não se cria um treinador de um dia para o outro. Essa condição tem que partir das associações, Confederação Brasileira e, principalmente, da Escola Nacional dos Treinadores. Eles precisam criar cursos que qualifiquem e possam evoluir os futuros comandantes. Isso não só vai ser bom para a carreira de um treinador, como também será fundamental para que o basquete continue crescendo.

P: Você passará a coordenar as categorias de base do Minas. Há algum novo projeto em mente para buscar novos talentos?
R: O Minas já tem o seu projeto e o seu departamento de basquete já é bem estruturado. Tentaremos dar seqüência a esse projeto, organizando melhor as suas categorias, bem como o recrutamento de atletas que também é um ponto a ser abordado nesse projeto. Estamos sempre fazendo esse recrutamento, mas temos que fazê-lo de forma criteriosa, pois temos, também, que trabalhar com os sócios deste clube. Nosso objetivo nesse projeto é formar atletas, mas acima de tudo é formar cidadãos, homens que possam não só ser grandes atletas, mas também, quem sabe, grandes engenheiros, médicos, jornalistas ou até mesmo alguns políticos, participando da vida social, ajudando o Brasil a ter pessoas melhores na sua direção.

P: O Minas formou uma equipe forte no último NBB, com Murilo, Drudi, Luiz Felipe e a grande evolução de Raulzinho, entre outros destaques. A eliminação na semifinal foi mérito exclusivo do Brasília ou você pensa que o Minas poderia ter chegado à final?
R: Eu acredito que a nossa equipe poderia ter passado do Brasília e ter disputado a final. Acho que o jogo chave foi o primeiro aqui em casa (derrota por 106 a 97) onde estávamos à frente e o Facundo Sucatzky se machucou. Não só a falta dele, mas a desestabilização do time nesse jogo foi primordial. Acho que esse time tinha condições por causa de sua energia, os jogadores estavam motivados, comprometidos com o resultado. Foi uma temporada muito especial não apenas por ser a minha última pela equipe adulta, mas pelos atletas com quem eu trabalhei. Tive muito orgulho de trabalhar com esse grupo, que se dedicou ao máximo, não só nos treinamentos, mas em todos os jogos para conseguir chegar entre os melhores do campeonato brasileiro.

P: Com as chegadas de Michel Nascimento e do americano Bernard Robinson, e a possível contratação do também estadunidense Brett Winkelman, o garrafão está igualmente forte, mesmo com as saídas de Murilo e Drudi?
R: O Murilo e o Drudi foram jogadores que formaram uma dupla muito boa no campeonato passado, tiveram um aproveitamento acima do normal. Mas não só pela qualidade que eles têm, mas pela forma que o time jogou e também com os companheiros que fizeram com que eles tivessem esse nível de aproveitamento, principalmente o Facundo e o Luiz Felipe. O Michel é um grande jogador, já foi meu atleta aqui, está retornando ao clube. Confio muito no seu potencial, acho que é um jogador que tem muito a acrescer, e o Bernard Robinson é uma promessa vinda da NBA e acho que pode ser o melhor jogador da liga. A gente espera que o time tenha tempo para se entrosar, é importante que o time se entenda, possa jogar e treinar junto, para que essa dupla de pivôs possa até superar a dupla que foi Murilo e Drudi. Esse é o pensamento: estar sempre renovando a equipe, trazendo jogadores de qualidade, mas sempre pensando no time como um todo. Sobre o Winkelman, faltam ainda alguns detalhes para a contratação.

P: A contratação de Cauê é uma indicação de que Sucatzky será menos utilizado, devido a sua idade avançada? E você pensa que Raulzinho já está pronto para assumir de vez a titularidade?
R: Um jogador que tem 38 anos de idade, em qualquer equipe do mundo, seja na NBA, na Europa ou no Brasil, precisa das qualidades físicas. O Facundo Sucatzky vem tentando superar essa dificuldade, que é normal para um jogador dessa idade, com a sua inteligência, a sua velocidade de raciocínio, com a sua visão de jogo e com sua tomada de decisão em momentos decisivos. Então eu tenho certeza que o Nestor Garcia (novo treinador da equipe) vai utilizar o conjunto de jogadores que tem, principalmente a qualidade física do Raulzinho e a sua juventude (18 anos de idade), junto com a inteligência e a experiência do Sucatzky. Então eu acho que ele vai conseguir dar o momento certo para cada um desses dois armadores, para que eles possam dar o máximo dentro das suas possibilidades e para que o Minas possa ter um resultado positivo em cada jogo. Já o Cauê tem a possibilidade de jogar como armador, mas ele é mais um ala-armador (posição dois). Ele tem uma qualidade física muito grande, tem um potencial defensivo que já foi notado pelo Nestor Garcia e vai ser utilizado na equipe sempre marcando o melhor jogador da equipe adversária. É um jogador de muito futuro e por isso é que foi contratado. Por completar 20 anos neste ano, ele tem grandes possibilidades de vestir a camisa da seleção nos próximos anos, é um jogador de muito talento. Esperamos que ele possa ser utilizado nessa rotação, não só na armação, como também na posição dois, que também conta com o Arnaldinho, que pode mesclar experiência e juventude nessa rotação, mantendo a intensidade e a qualidade do jogo.

P: O que pesou para a escolha do argentino Nestor Garcia, ao invés de um treinador brasileiro?
R: Foi uma decisão da diretoria. Havia outros nomes disponíveis, brasileiros e estrangeiros, mas cabe aos diretores do Minas explicarem os motivos da escolha. O que posso dizer sobre o Nestor Garcia é que é um técnico muito experiente, com passagens por várias equipes e seleções nacionais e é um técnico gabaritado para comandar o nosso Minas Tênis Clube. Acho que foi um nome muito bem escolhido.

P: Além da opção do Minas por Nestor Garcia, a própria seleção também tem feito essa opção por treinadores estrangeiros, como Moncho Monsalve e Rubén Magnano. Qual será o efeito dessas escolhas para o basquete brasileiro?
R: O momento político que a CBB (Confederação Brasileira de Basketball) passou, com a troca de comando e na forma com que seus gestores atuavam, foi muito radical. Eu acredito nos treinadores brasileiros, a capacidade deles é igual à de qualquer técnico estrangeiro. Os técnicos brasileiros estão se capacitando cada vez mais, procurando ir ao exterior, fazendo cursos, estudando, ficando atentos às mudanças técnicas e táticas do basquete atual e eu acredito no potencial e na qualidade dos técnicos brasileiros de estarem servindo a seleção brasileira. Mas é uma questão política que influenciou a escolha de técnicos estrangeiros nesses dois momentos. Tanto Moncho quanto Magnano, que é um campeão olímpico, são treinadores de altíssimo nível, de qualidade incontestável. Mas eu acredito que um técnico brasileiro teria a capacidade de conquistar as mesmas colocações, se todo o apoio e estrutura fossem dados a esse técnico.

P: Você citaria algum nome em especial, podendo incluir o seu próprio?
R: Eu não incluiria meu nome. Eu acho que todos os técnicos que estão em atividade no NBB têm condições de estar servindo a seleção brasileira. São técnicos de alto nível, que procuram estar se capacitando, colocam sempre seus times nas finais de campeonato e são técnicos que têm um algo a mais: têm a paixão pelo esporte e pelo país. Essas qualidades são um ponto a mais para os treinadores brasileiros, em relação aos estrangeiros. Eu não colocaria nomes, mas eu diria que todos aqueles que já treinaram a seleção e todos aqueles que treinam equipes de ponta do basquete nacional têm, pela sua capacidade, a condição de estarem servindo a seleção brasileira.

P: Quais as suas expectativas para a seleção no Pré-Olímpico de La Plata, no ano que vem?
R: É a melhor possível. Eu estive com o Rubén Magnano agora e ele não está com planos de quando começar a preparação, mas creio que os treinamentos devem começar por volta de julho. Acho que os atletas têm que estar comprometidos acima de tudo, pois técnico não faz nada sozinho. Ele pode criar um planejamento e ter a estrutura que tiver, mas sem um planejamento, mas sem um comprometimento dos atletas, com todos eles imbuídos no fato de que representar o Brasil é algo que não só o orgulho é necessário, mas também o amor de vestir a camisa brasileira e representar o Brasil em uma Olimpíada, o que é um sonho de todo jogador e treinador. Então, nesse aspecto, acredito que o Brasil tem condições de conseguir uma das duas vagas e ir para a Olimpíada (pela primeira vez desde 1996). Acho que o Brasil ficou muito tempo fora pelas circunstâncias do basquete mundial e não pela sua capacidade. Porque em várias Olimpíadas ficaram grandes seleções de fora, assim como a brasileira. Se tem muita cobrança pela falta do Brasil nas Olimpíadas, mas não se pode comparar o basquete com o voleibol. O mundo joga basquete. O voleibol se joga em alguns países. Então a forma de se classificar para as Olimpíadas é totalmente diferente. Nós conhecemos as dificuldades para se classificar, principalmente em um pré-olímpico onde você tem seleções como EUA e Argentina, que hoje estão entre as quatro melhores seleções do basquete mundial, o que torna cada vez mais difícil você se classificar para as Olimpíadas. Eu tenho certeza que o Brasil tem condições para isso, pois os EUA já estão classificados (por serem atuais campeões do Mundial da FIBA) e o Brasil disputará com Argentina, Porto Rico e Canadá uma dessas duas vagas.

P: Mesmo com a grande experiência, você ainda é jovem. Você diria que a escolha que fez por deixar o comando técnico do Minas é apenas um intervalo ou você não tem planos de voltar ao cargo?
R: Em julho passado, eu falei, durante a palestra da Escola Nacional de Treinadores, que estava muito desiludido com a carreira de técnico, devido à sua crescente desvalorização no cenário nacional. Dirigentes de confederações e os próprios clubes não enxergam a real importância que nós temos para com o basquete. Hoje o técnico pode fazer um grande trabalho, ser campeão, mas pode ser demitido, sem razão alguma. A falta de ética é muito comum, tanto no basquete, como em outros esportes. Eu aprecio muito a área de formação de jogadores, jovens talentos, que tem a motivação de serem atletas profissionais ou cidadãos exemplares, por isso, estou satisfeito com as categorias de base e só voltaria ao profissional, se todas aquelas questões, ditas anteriormente, mudarem. É verdade que os atletas precisam ser valorizados, mas os técnicos também. E isso não acontece. A melhor solução é a união dos treinadores, através de associações com ideais semelhantes e a mesma ética de trabalho. Para que debatem frente a frente com as Confederações.
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J.E.C. Entrevista - Gabriel Leão

A coluna “Não é pra qualquer um” desta semana traz a primeira entrevista da história do J.E.C. e inaugura o marcador “J.E.C. Entrevista”.

É com enorme prazer que trago um dos jovens jornalistas mais talentosos que pude conhecer até o momento. Dono dos blogs “Córner do Leão” e “Política Midiática”, Gabriel Leão, de 26 anos, se formou no ano de 2009, pela universidade Mackenzie. Atualmente, ele trabalha como freelancer e faz mestrado em Comunicação na Cásper Líbero.

Conheci seu trabalho através do blog do “Córner”, pois sou um apreciador do boxe. São textos fantásticos, com o boxe em foco, o que, infelizmente, ainda é raro no Brasil.

Cabe a nós futuros jornalistas, acabar com a centralização que a mídia brasileira faz no futebol e é este um dos grandes motivos que procurei o Gabriel para esta entrevista. Espero que gostem.

J.E.C. - Como e quando o boxe entrou em sua vida?
Gabriel - Entrou muito cedo, lembro de assistir as rodadas de boxe na TV Globo com meu avô no programa “Boxe Internacional”. Gostava das lutas de Mike Tyson, Evander Holyfield e Julio César Chávez. Era fim de anos 80 e início da década de 1990. Eu tinha por volta de 5 ou 6 anos.

Meu avô falava muito de Joe Louis, Muhammad Ali e Éder Jofre, os pugilistas favoritos dele. E tinha também os filmes do Rocky Balboa que eu assistia muito e torcia pelo Apollo. A morte dele foi muito marcante na minha memória cinéfila. Eu torcia pelo Apollo como se fosse uma pessoa real, ele é aquela mistura de James Brown com Capitão América, escutava os discos do primeiro quando pequeno e lia os gibis do outro, então, sempre gostei mais dele do que do próprio Rocky.

J.E.C. - Quando se fala de uma experiência marcante com o boxe em sua vida, o que lhe vem à memória?
Gabriel - Saber que consegui ajudar alguns pugilistas fora do meu blog. Alguns conseguiram visibilidade e até mesmo trabalho como instrutor de boxe. É gratificante quando alguém me elogia pessoalmente pelo trabalho e também quando apontam aspectos negativos nele. O jornalista nunca é a estrela que na verdade é a história, a matéria, o personagem retratado...

J.E.C. - Dos que você pôde ver/tem visto em atividade, qual o pugilista que mais lhe agrada ver em ação? E dentre os históricos, os quais você não pôde ver em atividade?
Gabriel - No nível nacional gosto de ver Pedro Otas e Jackson Jr. Ambos tem um estilo pegador e batem pesado, sendo que até pouco era possível assisti-los nas rodadas do Baby Barioni em São Paulo, sem custo – agora vão atrás de chances mais rentáveis, afinal merecem –.

No internacional eu gosto do Pacquiao. Sinto falta de pugilistas com boa esquiva e sistema defensivo. Não vemos mais pêndulos e esquivas, salvo exceções. Os boxeadores parecem sacos de pancada humanos.

Dos históricos são quatro, Evander Holyfield, Mike Tyson, Muhammad Ali e Éder Jofre. Tyson pela impetuosidade, Muhammad pela inteligência, resistência e bailado, Holyfield pela perseverança e Éder por saber dosar força com técnica e força de vontade.

J.E.C. - O charme do boxe no século passado (especialmente em seu início) se perdeu?
Gabriel - Sim, principalmente em nosso país. O boxe foi relegado a um palco muito menor do que teve nos tempos áureos dos Zumbano-Jofres. No mesmo dia que tinha apresentação de Grande Otelo no Cassino da Urca também tinha uma luta de algum grande talento dos ringues. Hoje nas reuniões de boxe vemos sempre os mesmos rostos e a maioria são de atletas. Perdeu também o apelo de entretenimento.

Fora do país tem se mantido como uma força, apesar dos Klitschkos e David Haye terem algum carisma não se comparam com Tyson nesse quesito ou até mesmo a Lennox Lewis e Evander Holyfield e essa categoria que puxa o esporte. Os pesados são o carro abre-alas.

J.E.C. - A larga utilização do boxe em simulacros (extensa lista de filmes, por exemplo) chega a ser algo prejudicial?
Gabriel - É produtivo, mas só o filme não basta. Quando saiu Menina de Ouro, houve aumento de procura de pugilismo por mulheres nas Academias, mas quando fruto se vê disso hoje além de terem cuidado do corpo?

As pugilistas que fizeram carreira já estavam ali antes do filme e apareceram na TV, em muitos casos como atrações excêntricas nas quais se fala mais de sua aparência do que potencial, tanto que aquelas que são, no português claro, feias pouco apareciam.

Mas no processo geral é produtivo o uso do cinema, porque serve para mostrar aspectos bons do esporte e valores que são transmitidos por técnicos e atletas. Apesar que deve ser lembrado que o que se encontra na tela de cinema é um retrato e não a realidade visto por um ângulo assim como o livro, o telejornal e outros produtos de mídia.

J.E.C. - O fim da carreira de Muhammad Ali foi um marco de transição do boxe mundial? Se sim, foi para melhor ou para pior, em sua opinião?
Gabriel - Foi o fim de uma era. Vimos a diferença entre um deus e um herói. O boxe tem muitos elementos de mitologia, e Muhammad Ali se tornou um mito tanto que é um personagem da História e não apenas um atleta, foi indicado ao Nobel da Paz em 2007 e tem seu trabalho pelos direitos humanos reconhecidos por líderes mundiais de diversas correntes ideológicas.

No mito de Muhammad Ali, o fim da carreira foi a morte do herói, que conforme o mitólogo Joseph Campbell, o herói morre para renascer em outro momento. E Muhammad Ali tem esse “renascimento” quando acende a tocha olímpica em 1996, e vemos que apesar das limitações ele continua com sua mensagem de paz e superação.

Nos ringues isso foi sentido mais por Larry Holmes, que apesar de excelente quadro, se viu na sombra de um mito e, portanto, foi castigado por isso. Com Tyson e Julio César Chávez o boxe voltou a ser um dos principais esportes nas grades televisivas, mas nenhum se compara a Ali.

Ali sabe mais de marketing e sociologia que muitos Doutores em Comunicação. É, de certa forma, um autodidata. Sua queda criou um vácuo, mas outros heróis surgiram. Na mitologia grega os principais heróis são Perseu e Hércules, mas existe lugar para Teseu e outros. Falta ao boxe achar seus outros que vão além de Pacquiao e Mayweather Jr.

J.E.C. - Quem você considera o melhor pugilista da atualidade?
Gabriel - Pacquiao, é o mais completo.

J.E.C. - Em que patamar se encontra o boxe brasileiro? Popó foi o último grande lutador de destaque no país?
Gabriel - Cito (Vlademir Pereira) "Sertão" também entre os grandes, este último não conseguiu mais por circunstâncias. Conseguir um cinturão de uma liga de ponta o coloca entre os grandes do Brasil.

Atualmente o nosso forte é o boxe olímpico. Vemos os resultados nos frutos colhidos pelas seleções masculina e feminina (principalmente) e pelo menino David Lourenço. No profissional, infelizmente empresários comparáveis ao personagem Odorico Paraguaçu de O Bem Amado podam talentos produtivos e os servem como prato de entrada em rodadas estrangeiras.

As condições dos eventos deixam a desejar e a falta de patrocínio também piora o panorama gerando um ciclo vicioso.

J.E.C. - Quais as perspectivas para o futuro do esporte no país? Você enxerga uma tendência de crescimentos dos esportes especializados até 2016?
Gabriel - Por política creio que haverá esse crescimento, se bem que a CBBoxe já vem trabalhando antes do anuncio dos Jogos Olímpicos e esse crescimento é saudável, pois não se liga em politicagem.

Disputas desse calibre servem pra mostrar o potencial de nações em poderem investir em Esportes e não em áreas mais necessárias como Educação e Saúde. Se um país despende de recursos para os atletas é porque tem força e os políticos vão querer mostrar a bala que o Brasil tem.

O presidente Lula tirou uma foto com David Lourenço, isso mostra o apelo político e de imagem que atletas tem para se tornar heróis e como líderes políticos se aproveitam deles.

J.E.C. - Pacquiao ou Mayweather?!
Gabriel - Pacquiao por ser mais ético. Até o momento se apresenta como um herói, ou seja, alguém que aceita se sacrificar pelo bem de seu povo e assume o fardo de ser deputado. Isso enobrece sua biografia.
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